Santarém registra ar “muito prejudicial à saúde” após avanço de queimadas; concentração de poluentes supera em 25 vezes recomendação da OMS
Fumaça encobriu ruas, rodovias e comunidades do oeste do Pará. Com pouca chuva prevista e seca persistente, especialistas alertam para os riscos à saúde e a dificuldade de dispersão dos poluentes.
Santarém, no oeste do Pará, amanheceu nesta segunda-feira (19) sob uma densa camada de fumaça provocada por queimadas na região. O fenômeno reduziu a visibilidade em diferentes pontos do município e também atingiu Alter do Chão, aumentando os riscos para motoristas, navegantes e moradores.
O problema ganhou destaque no Bom Dia Brasil, da TV Globo, diante da deterioração da qualidade do ar na Região Norte. A situação é agravada pela estiagem e pela previsão de chuvas insuficientes para dispersar a fumaça acumulada na atmosfera.
Segundo o meteorologista Alex Santos, professor da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), a fumaça que chegou à cidade tem origem em queimadas registradas nos municípios vizinhos de Monte Alegre e Alenquer.
Poluição atinge nível de alerta
Os indicadores ambientais revelam a dimensão do problema. Dados da plataforma IQAir, registrados às 10h desta segunda-feira, apontaram que Santarém alcançou 200 pontos no Índice de Qualidade do Ar (AQI), classificação considerada muito prejudicial à saúde.
A concentração de partículas finas PM2,5 chegou a 126 microgramas por metro cúbico (µg/m³). Para efeito de comparação, a diretriz da Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda uma média anual de apenas 5 µg/m³ para esse poluente.
Isso significa que a concentração registrada em Santarém equivale a 25,2 vezes o valor de referência anual da OMS. A comparação, porém, deve ser interpretada corretamente: trata-se de uma medição pontual confrontada com uma diretriz de média anual, e não de períodos de medição equivalentes.
As partículas PM2,5 são especialmente preocupantes porque têm diâmetro de até 2,5 micrômetros e podem penetrar profundamente nos pulmões, aumentando o risco de problemas respiratórios e cardiovasculares.
Fumaça compromete a visibilidade nas estradas e nos rios
Moradores registraram a presença de uma névoa cinzenta em áreas como o Eixo Forte, a região da Curuá-Una, a rodovia Fernando Guilhon e o Residencial Salvação.
Na rodovia Fernando Guilhon, a redução da visibilidade exigiu atenção redobrada dos condutores. Nos rios, a fumaça também dificultou a navegação, elevando o risco de acidentes para quem depende das embarcações para trabalhar ou se deslocar.
O cenário evidencia que os efeitos das queimadas vão além da destruição da vegetação. A fumaça transportada pelo vento pode atingir áreas distantes dos focos de incêndio, comprometendo a saúde pública, a mobilidade e as atividades econômicas.
Pouca chuva dificulta a melhora da qualidade do ar
A perspectiva de alívio imediato é limitada. Santarém acumulou apenas 6,5 milímetros

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